Embate entre Eduardo Leite e prefeitos de municípios gaúchos surge após novo decreto de distanciamento controlado

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Na manhã desta segunda-feira (15), o governador Eduardo Leite, em particular, passou a enfrentar um dos momentos mais ambíguos e árduos desde o começo da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), no Rio Grande do Sul. Fator este que foi originado após o novo decreto de isolamento social, aplicado aos municípios declarados em situação de bandeira vermelha.

Após a alegação de Leite, prefeitos de 116 cidades das regiões de Caxias do Sul, Santa Maria, Santo Ângelo e Uruguaiana (avaliadas com bandeira vermelha), colocaram em pauta diversos questionamentos a respeito da decisão do Estado.

Gestores, técnicos, cientistas e profissionais da saúde indicam três motivos responsáveis por terem levado o estado à situação atual, pelos quais seja considerado válido o novo decreto. São eles: o conceito de que mesmo sem testagens e rastreamento em grande margem, junto à uma política de isolamento, o vírus passaria “rente” ao Estado; a movimentação e aglomerações desnecessárias, sem consideração aos critérios de restrição anteriormente apresentados; o discurso governamental, que aumentou o vigor e flexibilizou restrições em diferentes datas, que a doença apresentou um ápice de casos.

Segundo o professor de Políticas Públicas e Ciência Política da UFRGS, Sergio Júnior, pelo fator do governador e dos prefeitos vivenciarem um embate momentâneo, os conflitos locais voltados às normas políticas ganham dificuldade de processamento, em tempo não apropriado: “Em países com políticas públicas mais eficientes, é mais fácil manter as restrições. Infelizmente, este não é o nosso caso. Aliado a isso, a falta de uma coordenação nacional também pesou. Quando ela existe, o discurso se fortalece em nível local”.

Dados Covid-19 – RS, atualizado em 15 de junho, às 13h37min – Disponível em: http://ti.saude.rs.gov.br/covid19/

Frente ao critério de bandeiras vermelhas adotado, o modelo de distanciamento percorrido até o atual momento, entra em discussão. Tal regra já é aplicada desde o dia 11 de maio, passando por três atualizações. Ligado a este ponto, o governador utilizou de 11 critérios para decretar restrições em 20 regiões diferentes, sendo que só nove tratam de hospitalização e da estrutura de saúde disponível. Profissionais ligados à saúde alertaram o risco que o estado corre, pois segundo os mesmos, apresentar estatísticas sobre hospitalização e leitos, não impede a velocidade de propagação do vírus, podendo haver seguimento nos níveis de contaminação.

O governador ainda afirmou que a opção por restringir novamente o ciclo para evitar aglomerações, se dá com propósito de instigar a redução no número de contágios. Contudo, prefeitos de diversas cidades gaúchas ameaçaram ingressar com processos judiciais para reverter as restrições que entram em vigor nesta segunda-feira (15). De acordo com um integrante do Executivo, a velocidade da doença não dá espaço para negociações. Mas, do mesmo modo, Leite tenta abrir conversa com prefeituras, a fim de evitar disputa judicial.

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